Além da reforma tributária, futuro ministro da Fazendo assegurou que haverá medidas conjunturais para arrumar a máquina pública, mas reforçou importância da aprovação da “PEC da transição”
Futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad disse hoje ser “absolutamente possível” que em janeiro o novo governo já tenha um cenário de sustentabilidade fiscal. Além da reforma tributária, ele assegurou hoje que haverá medidas conjunturais para arrumar a máquina pública. Reforçou, contudo, a importância da aprovação da “PEC da transição”.
“Precisamos que o Congresso compreenda que aquilo contratado com a sociedade tem que ser pago. Temos compromisso também com a noção de neutralidade fiscal, em que o orçamento deste ano como proporção do PIB não pode ser menor que no ano passado”, explicou.
Haddad pontuou também que há “muitas despesas no meio do ano que terão de ser anualizadas no ano que vem”.
“Estamos estudando formas de resolver isso, mas não podem ser anunciadas porque o governo precisa tomar posse”, argumentou. “Com calma, vamos apresentar a sustentabilidade.”
O futuro ministro disse ainda que não tem encontrado “toda a colaboração do mundo nesta transição”, pois o atual governo não tem participado como deveria.
O futuro ministro disse que pretende apresentar até o final desta semana os demais nomes de sua equipe. A maioria já está definida, mas questões pessoais dos escolhidos ainda estão sendo analisadas.
“Tem gente que está pensando ainda [em aceitar convite para fazer parte da equipe], porque tem a mudança para Brasília, filho pequeno, é difícil de equacionar”, pontuou. “Mas até aqui estou sendo bem-sucedido [em montar a equipe]”.
Haddad disse hoje que a construção de uma alternativa ao rombo no orçamento junto ao Congresso, neste caso com a “PEC da Transição”, seria melhor do que se apoiar na decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou do teto de gastos a renda mínima.
“Acredito muito na construção de instituições fortes; toda decisão, por mais agradável que seja, se ela for precária, é pior do que se fosse robusta”, disse Haddad, em coletiva de imprensa no centro de transição de governo.
Haddad pontuou que o rombo orçamentário não foi contratado pelo atual governo e que o Congresso tem sido sensível nesta percepção. Por isso, o futuro titular da Fazenda entende que a tramitação na Câmara não poderia ser “muito mais difícil” do que foi no Senado, onde passou com folga.
“No Senado, foi possível alinhavar princípios para a PEC da Transição; não me parece que na Câmara tenha razões para ser muito mais difícil”, frisou. “Todas as vezes em que sentamos com o Congresso, tivemos êxito do problema que foi herdado”.
O ministro garantiu, contudo, que Lula foi eleito para resolver, dentre outros problemas, a questão orçamentária.
Fonte: Valor Investe
Conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico.
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