Ministro da Fazenda garantiu que a intenção do governo é votar a reforma tributária ainda no primeiro semestre do ano.
O Ibovespa subiu 2,04% nesta terça-feira, 17, aos 111.439,12 pontos, impulsionado pelo aumento dos preços de commodities após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) da China maior do que o esperado em 2022. O índice apagou a perda de 1,54% observada na segunda e agora acumula alta de 1,55% em 2023. Para analistas, a retomada das negociações em Nova York após o feriado, o ajuste dos papéis ligados à crise nas Americanas e as falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em Davos, também contribuíram para os ganhos.
O destaque do dia ficou com as ações da Petrobras, que avançaram entre 7,04% (ordinárias) e 6,16% (preferenciais), em linha com os ganhos do petróleo na sessão. O futuro do Brent para março fechou o dia em alta de 1,73%, a US$ 85,92 o barril, enquanto o contrato do WTI para fevereiro subiu 0,40%, a US$ 80,18 o barril.
“O PIB acima do esperado na China levou a uma subida de commodities e, principalmente, do petróleo, que se reflete nas ações da Petrobras”, resume o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.
As ações de bancos também avançaram ao longo do dia, em um movimento de recuperação após as perdas de ontem. A maior alta foi do Banco do Brasil (+5,87%), que tem baixa exposição à Americanas e ainda reflete declarações da nova presidente do banco, Tarciana Medeiros, que prometeu na noite de ontem gerar “resultados relevantes” para os acionistas. No setor, também registraram ganhos BTG Pactual (+3,26%), Itaú Unibanco (+2,07%), Santander (+0,84%) e Bradesco (+0,70% ON, +0,69% PN).
O movimento dos ativos brasileiros também foi beneficiado pelas declarações de Haddad no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Ao longo do dia, o ministro garantiu que a intenção do governo é votar a reforma tributária ainda no primeiro semestre do ano, que servirá para equilibrar as contas públicas. O petista anunciou ainda que o governo brasileiro vai contar com apoio técnico do Fundo Monetário Internacional (FMI) para formular a proposta de nova âncora fiscal do País, que deverá ser apresentada até abril.
“O arcabouço tributário gera uma barreira grande para a entrada de investimento de longo prazo. Então, uma reforma tributária é tudo que o mercado espera, e não só de hoje”, diz Velloni. “Ter uma fórmula para cobrir o excesso de gastos e aumentar a atração de capital produtivo anima um pouco mais o mercado.”
O operador de renda variável da Manchester Investimentos Felipe Cima acrescenta que a sessão desta terça mostrou a manutenção do interesse de investidores estrangeiros pela Bolsa brasileira, em linha com os demais mercados emergentes. Para o analista, o crescimento maior do que o esperado do PIB chinês reforça a perspectiva de preços mais altos de commodities ao longo de 2023, que renova o potencial de entrada de recursos externos nas ações do País ao longo do ano.
Fonte: Estadão
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