A complexidade da reforma tributária não vem só da discussão que ocorre há muito tempo, mas de como isso impacta as esferas de poder. Veja mais!
Pensar em reforma tributária leva a uma coisa muito clara: o Brasil é um dos piores países do mundo quando o assunto é pagamento de impostos.
Conforme a Nath já contou na série Os Caminhos do Dinheiro, por aqui cobramos os tributos de quatro formas diferentes:
- sobre a renda;
- sobre o trabalho;
- sobre o patrimônio;
- e sobre o consumo.
“Me Poupe!, é muita coisa! Meus olhos ardem de ler sobre esse monte de imposto!”
Agora, criatura, pensa nisso: quem ganha pouco, acaba pagando mais imposto do que quem ganha mais. É por isso que as pessoas pobres acabam sofrendo com o pagamento de mais impostos. Te expliquei isso aqui.
Contudo, neste texto, quero te explicar sobre outra polêmica: a reforma tributária.
Porém, antes, preciso dar uns passos atrás para te explicar mais sobre a tributação do consumo e como funciona esse repasse para os governos federal, estadual e municipal.
Como funciona a tributação sobre o consumo?
A tributação sobre o consumo é aplicada a serviços e mercadorias. E, podemos falar de forma clara? Ela é complexa, ineficiente, promove distorções na economia e amplia desigualdades.
Contudo, esses problemas impactam toda a população brasileira. E não para por aí!
Essa tributação prejudica o ambiente de negócios e o desenvolvimento da economia e também interfere na capacidade dos governos de investir mais em políticas públicas, garantindo uma qualidade em educação e saúde.
Fora que reduz a transparência para os cidadãos, que não sabem o que e quanto pagam.
Imediatamente a gente entende que o cenário é bem triste, né? Mas, é possível tentar melhorar. Até porque, como a Nath fala no último episódio de Os Caminhos do Dinheiro, existe uma proposta de um cenário ideal escrito na nossa Constituição.
O problema é como o governo faz esse repasse. Pra entender melhor, clica no play do vídeo abaixo:
Mas e os tributos, Me Poupe!?
Antes de mais nada, calma que não esqueci de te explicar isso!
No Brasil existem cinco tributos sobre os bens e mercadorias. Enquanto isso, 168 países do mundo adotam apenas um: o imposto sobre bens e serviços (IBS).
Além disso, a responsabilidade por esses tributos está dividida entre a União, os estados e municípios. O PIS/Cofins e o IPI são tributos federais. O ICMS é estadual. E, por fim, o ISS é cobrado e administrado pelos municípios.
Definitivamente, tudo isso leva a um questionamento: por que o sistema tributário brasileiro é complexo e pouco transparente?
Como seria uma reforma tributária ideal?
A Reforma Tributária ideal vai atingir diretamente o consumo no país. Nada de propostas malucas: o ideal é seguir uma lógica que já é aplicada em 168 países com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Como esse resultado, esse tributo será cobrado sobre todas as mercadorias e serviços consumidos e gera mecanismos que garantem maior eficiência e justiça para empresas e pessoas.
Contudo, o que isso significa na prática e como acontece o processo de implementação?
Como rola a aprovação da reforma tributária?
Tudo começa láááá no Congresso Nacional. E a dinâmica é assim: quando uma das propostas for aprovada (e existem, atualmente, duas por lá) no Congresso e depois for aceita pela Presidência da República, inicia-se o chamado período de transição
Nesse sentido, a carga tributária dos atuais tributos é diminuída gradualmente à medida em que se eleva a carga do IBS.
Assim, o governo federal, estados e municípios conseguem ajustar os mecanismos de arrecadação e distribuição sem ter que cobrar mais impostos da população.
Quais são os benefícios dessa reforma tributária?
Seja como for, especialistas dizem que, quando já estiver sendo utilizado, o IBS resolverá alguns dos nossos principais problemas. Alguns deles são:
- Como o IBS será cobrado sobre uma base ampla e com legislação unificada, as empresas não terão que lidar com diferentes legislações no nível federal, estadual e municipal. Além de diversas exceções e classificações que distorcem o pagamento de tributos, também teremos a simplificação de diversos pontos que hoje são fonte de muitas disputas judiciais.
- Teremos um Crédito Financeiro Amplo, onde a judicialização do crédito passa a ser ultrapassada com a adoção do crédito financeiro. Assim, todos os bens produzidos darão direito a crédito, com exceção de bens de uso pessoal.
- O IBS será um imposto sobre valor agregado. Isso significa que ele será tributado apenas em cima do valor que foi adicionado aos insumos em determinada etapa da produção. E o que isso significa? Que o quanto se paga e o quanto se gera em créditos tributários se torna mais transparente!
- E o melhor de tudo isso: segundo estimativas do IPEA (2019), 80% dos municípios mais pobres teriam aumento em suas receitas, levando mais políticas públicas para a população que mais precisa. Além disso, a diferença de arrecadação de tributos estaduais e municipais, ICMS e ISS, entre diferentes regiões cai de 270x para apenas 6x.
Definitivamente o assunto da reforma tributária é bem mais complexo e gera uma discussão infindável. Por isso, eu te convido para conferir o último episódio da série Os Caminhos do Dinheiro.
Por Nathalia Arcuri
Fonte: Me Poupe!
Deixar um comentário